A Biblioteca Escolar Como Protagonista do Desenvolvimento Curricular de Qualidade | em defesa do modelo crítico-educativo
O modelo crítico defende a formação de cidadãos cultos e conscientes, bem como a articulação entre teoria e prática no processo de desenvolvimento curricular. Através do fomento das literacias e da difusão de informação crítica, a correção das desigualdades sociais, a luta contra a exclusão e o combate contra o insucesso escolar são essenciais, em detrimento do lazer, do lúdico e/ou das atividades informais.
O modelo crítico-educativo ou profissional visa concertar a perspetiva pedagógica de transformação da sociedade e a realidade local, a teoria e as práticas educativas. Em vez do mimetismo de um ideal, a biblioteca escolar privilegia a articulação da satisfação das necessidades do meio com as opções pedagógicas dos profissionais, privilegia o trabalho em equipa e a auto avaliação. Em suma, procura constituir a biblioteca escolar como um “espaço de possibilidades”.
Para debate, propõe-se que a biblioteca escolar se constitua como um núcleo ativo no Projecto Educativo e no Projecto Curricular, gerador de ideias e promotor da inovação. A biblioteca escolar constitui-se em protagonista do processo de desenvolvimento curricular de qualidade (em apoio aos professores) e corretor das desigualdades sociais de origem ou adquiridas (em apoio aos alunos).
Para tal deve ter os meios materiais adequados, uma equipa multidisciplinar e com formação, um responsável estável, preparado e com horário dedicado amplo; um projeto de trabalho partilhado com a escola, meios para um horário de funcionamento alargado. A BE deve igualmente desenvolver práticas de experimentação, avaliação e difusão de resultados. No entanto, tal só será possível com vontade política por parte das administrações escolares.
Para tal deve ter os meios materiais adequados, uma equipa multidisciplinar e com formação, um responsável estável, preparado e com horário dedicado amplo; um projeto de trabalho partilhado com a escola, meios para um horário de funcionamento alargado. A BE deve igualmente desenvolver práticas de experimentação, avaliação e difusão de resultados. No entanto, tal só será possível com vontade política por parte das administrações escolares.
O mais relevante contributo de Guillermo Castán Lanaspa (2002, 2005) reside na defesa de um modelo de biblioteca escolar que o autor denomina de “critico-educativo o profesional” e que consagra aquela como um “proyecto pedagógico [...] que [...] debe contribuir [...] al logro de los tres grandes objectivos que las sociedades democraticas assignan a la escuela: instruir [...], extender la cultura [...] y corregir las desigualdades de origen [...] y adquiridas”.
Em Portugal, tal como em Espanha, as questões da qualidade do ensino e do combate ao insucesso escolar, da defesa da igualdade de oportunidades e do papel que a escola poderá/deverá ter nos processos de mobilidade social; há muito são alvo de debate quer no meios académicos e profissionais, quer nos media. A reflexão em torno do conceito e da importância da biblioteca escolar na Escola e na formação de cidadãos “mais conscientes, informados e participantes [e no] no desenvolvimento cultural da sociedade no seu conjunto” (Relatório de Lançamento da Rede de Bibliotecas Escolares, p. 1.) tem acompanhado aquele debate mas nem sempre existe uma correspondência entre os princípios defendidos pelas organizações internacionais e nacionais (UNESCO, IFLA e, no caso português, RBE) e a realidade no terreno.
Guillermo Castán Lanaspa associa esta discrepância - entre o discurso oficial e a realidade das práticas pedagógicas e da percepção das bibliotecas escolares - às rotinas pedagógicas e aos entraves à mudança e à inovação.
Ruth Small afirmou que “successful examples of librarian-teacher collaboration can become contagious [...} Success breeds success.” Ora, é precisamente neste domínio que o professor bibliotecário pode e deve exercer uma liderança pró ativa e contagiante na mudança da perceção tradicional da biblioteca escolar como uma “coleção de livros” para aquela que Ross Todd (2001) definiu na Conferência da “International Association of School Libraries (IASL)” realizada na Nova Zelândia: «knowledge space, not information place». Portugal, ao definir a figura de professor bibliotecário com a Portaria 756/2009, caminhou claramente no sentido apontado pelos especialistas internacionais.
Ruth Small afirmou que “successful examples of librarian-teacher collaboration can become contagious [...} Success breeds success.” Ora, é precisamente neste domínio que o professor bibliotecário pode e deve exercer uma liderança pró ativa e contagiante na mudança da perceção tradicional da biblioteca escolar como uma “coleção de livros” para aquela que Ross Todd (2001) definiu na Conferência da “International Association of School Libraries (IASL)” realizada na Nova Zelândia: «knowledge space, not information place». Portugal, ao definir a figura de professor bibliotecário com a Portaria 756/2009, caminhou claramente no sentido apontado pelos especialistas internacionais.
O modelo tecnológico, espelho da Escola veículo de transmissão/reprodução, e os modelos prático e crítico não respondem às necessidades atuais dos alunos numa sociedade na qual imperam, simultaneamente, e de forma paradoxal, o acesso a quantidades de informação de múltiplas origens/suportes e novas formas de exclusão social e cultural.
A proposta do modelo “critico-educativo o profesional”, contemplando o apoio aos processos de ensino-aprendizagem, o fomento da leitura e da escrita, o uso responsável e crítico das novas tecnologias e a aspiração à correcção das desigualdades sociais e de acesso à cultura; aponta para uma estratégia de mudança da sociedade, assente nos valores cívicos da igualdade de oportunidades e de justiça.
A biblioteca escolar, numa escola que se espera ser um agente pró ativo nesse processo de mudança, deve constituir-se como um “centro nevrálgico” do projeto educativo que defenda o trabalho colaborativo como estratégia central e conjunto de procedimentos de reflexão, análise e atuação face às necessidades da escola, da comunidade escolar e da comunidade envolvente. Ora, este modelo procura o ponto nevrálgico do encontro entre teoria e prática, ideal e realidade, global e local.
Sob uma liderança estratégica, colaborativa, efetiva e crítica do professor bibliotecário, a biblioteca escolar deve assumir-se como um espaço de informação | aprendizagem | conhecimento, onde se acede a informação de forma criteriosa e crítica, onde se obtém orientação nos domínios das tecnologias digitais e do desenvolvimento de competências ao nível da comunicação; e, em última instância, se organiza informação e se induz a produção do conhecimento. Guillermo Castán Lanaspa reitera o vetor qualidade no processo de desenvolvimento curricular e na ação estratégica das bibliotecas escolares, em consonância com o conceito de “Educação para o século XXI”, definida pela UNESCO em 1996. Recordemos as palavras de Jacques Delors (1996, p. 5-14): «Ante os múltiplos desafios do futuro, a educação surge como um trunfo indispensável à humanidade na sua construção dos ideais da paz, da liberdade e da justiça social.»
É vital que as bibliotecas escolas tenham um papel nuclear no “aprender a conhecer”, no “aprender a fazer” e no “aprender a ser” - somente o modelo crítico-educativo ou profissional poderá dar uma resposta cabal a este triplo desígnio.
É vital que as bibliotecas escolas tenham um papel nuclear no “aprender a conhecer”, no “aprender a fazer” e no “aprender a ser” - somente o modelo crítico-educativo ou profissional poderá dar uma resposta cabal a este triplo desígnio.
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| Leituras Recomendadas |
Delors, Jacques - Educação, um tesouro para descobrir: relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre educação para o século XXI. UNESCO, Faber-Castell, 1996.
Lanaspa, Guillermo Castán - “Concepciones curriculares y bibliotecas escolares: reflexiones para la elaboración de un modelo”. in: Seminario "Bibliotecas Escolares y Calidad de la Educación". Madrid: ANELE, 2002.
Lanaspa, Guillermo Castán - Bibliotecas escolares, calidad de la enseñanza y fracaso escolar. Hacia un modelo integrador. in: Actas de las I Jornadas sobre bibliotecas escolares de Extremadura, Mérida, (Badajoz), 2005 ; p. 115-124.
Small, Ruth - Developing a collaborative culture. The best of ERIC. AASL, 2002.
Todd, Ross - Transitions for preferred futures of school libraries: knowledge space, not information place; connections, not collections; actions, not positions; evidence, not advocacy. IASL conference 2001 virtual session.

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