sábado, 12 de março de 2016


Luís Ferreira da Silva (Porto, 1928 - Caldas da Rainha, 2016)



Fotografia: Carlos Gil

Ceramista Ferreira da Silva (à direita), com dois assistentes, oleiro e preparador de pastas, no seu estúdio da SECLA, o "Curral".



Imagem: Carlos Gil

Preparando o barro suécio, nos anos 70 (?).




 Garrafa em cerâmica, de grandes dimensões (anos 60-70), de Ferreira da Silva.

[...]

"Inicia-se aqui [na SECLA, em 1958], para Ferreira da Silva, um período, que decorre entre 1960 e 1967, de intensa experimentação, nomeadamente na mistura de óxidos nos engobes e nas pastas. Nessa nova fase na “Secla”, foi importante o diálogo com António Cardoso, um dos técnicos mais considerados na sua área. No seu regresso à empresa, ocupou inicialmente uma pequena oficina, ao lado do laboratório onde tinha trabalhado Hansi Stael. Obteve mais tarde autorização da Direcção da empresa para contratar um oleiro para trabalhar consigo. É assim que surge o “Curral”, uma oficina onde também trabalham um preparador de pastas e um modelador para as séries de azulejos e placas. Importa referir neste período a relação estabelecida com Santiago Areal, artista que teve residência em Óbidos. Areal notou a estrutura invulgar das peças de Ferreira da Silva, o seu conceito de decoração como patine. Aconselhou-o, e, dado o prestígio que de já gozava, transmitiu-lhe confiança. Ferreira da Silva define um estilo, na escultura cerâmica ou em metal, tal como na gravura. O autor manifesta um gosto predominante pelos materiais que oferecem resistência, pelas formas possantes, pelas decorações esgrafitadas, pelas patines obtidas a partir de engobes pretos e vidros de efeito metálico. A sua intensa e inovadora produção obtém então amplo reconhecimento. Em 1961, é seleccionado para a II Exposição organizada pela Gulbenkian e a peça de com que está presente é saudada pela crítica, nomeadamente José Augusto França. Em 1964 expõe na Galeria 111, em Lisboa. Nesse mesmo ano é-lhe atribuído o Prémio Nacional de Escultura Soares dos Reis. O Jornal de Letras e Artes dedica-lhe uma grande entrevista. Em 1967 a Fundação Calouste Gulbenkian concede-lhe uma bolsa. Nesse ano parte para Paris, onde frequenta a Escola de Manufactura.[...]

in João Serra, "Ferreira da Silva: biografia breve e nota bibliográfica".

Texto completo (pdf) aqui.




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