sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015


Uma coisa inocente




Ilustração Rose Wong

Estendi a mão por qualquer coisa inocente
uma pedra, um fio de erva, um milagre
preciso que me digas agora
uma coisa inocente

Não uses palavras
Qualquer palavra que digas há de doer
pelo menos mil anos
não te prepares, não desejes os detalhes
preciso que docemente o vento
o longínquo e o próximo
espalhe o amor que não teme

Não uses palavras
se me segredas
aquilo que no fundo das nossas mentiras 
se tornou uma verdade sublime


in De igual para igual /José Tolentino Mendonça.
 Lisboa : Assírio & Alvim, 2001

no catálogo da Biblioteca António Arroio

Sem comentários: