domingo, 18 de novembro de 2012


Pronuncio o teu nome




Pronuncio o teu nome
Nas noites escuras,
Quando vêm os astros
Beber na lua
E dormem nas ramagens
das frondes ocultas.
E eu oco me sinto 
De paixão e de música.
Louco relógio que canta
Mortas horas antigas.

Pronuncio o teu nome,
Nesta noite escura,
E o teu nome soa-me
Mais longe que nunca.
Mais longe que todas as estrelas
E mais dolente do que a mansa chuva.

Querer-te-ei como então 
Alguma vez? Que culpa 
Tem o meu coração?
Se a névoa se esfuma,
Que outra paixão me espera?
Será tranquila e pura?
Se meus dedos pudessem
Ir desfolhar a lua!



Federico García Lorca (1898-1936)
Granada, 10 de novembro de 1919


ilustração: Sashaivoilova


 Federico García Lorca :Obra Poética(2007), trad. e notas de José Bento. Lisboa: Relógio D´Água. pp.47-49.

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