segunda-feira, 3 de setembro de 2012


As Amoras





De olhos lavados pela paisagem,  regressamos com um poema de Eugénio de Andrade. Uma relação complexa de amor e desencanto com o país natal.


AS AMORAS

O meu país sabe às amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.

Eugénio de Andrade (1923- 2005)

[imagem: Tavira, 2012]

in Poesia - Eugénio de Andrade (2011), de Eugénio de Andrade. V.N Gaia: Modo de Ler ed. p. 513.

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