terça-feira, 27 de março de 2012


O mundo que lemos

imagem: Behance.net, Alicia en el Pais de las Maravillas

Alice no País das Maravilhas e Alice no Outro Lado do Espelho, do autor Charles Dodgson, apenas conhecido pelo pseudónimo Lewis Carrolpertencem  à categoria de obras que tanto podem ser apreciadas por crianças como por adultos. Alice, a protagonista, vai fazendo a sua aprendizagem do mundo à medida que conhece absurdas personagens e ocorrem estranhos episódios.
 Alberto Manguel (2009) a este propósito, fala-nos da leitura como uma viagem através do conhecimento (ou o conhecimento através de uma viagem, perguntamos nós?), em que "O ofício da leitura assinala a nossa entrada no mundo da tribo, tão marcada pela linguagem das coisas que apenas os livros contêm. A leitura deve ser um processo pessoal, uma espécie de apropriação de que cada um de nós faz desse mundo de sinais, de significados que vamos vivenciando. E o autor afirma: "Como qualquer criança sabe, o mundo da experiência (como o bosque de Alice) não tem nome e nós vagueamos por ele num estado de maravilhamento, com a cabeça cheia dos murmúrios da aprendizagem e da intuição.  Os livros que lemos ajudam-nos a nomear uma pedra ou uma árvore, um momento de alegria ou de desespero, o suspiro de um ente querido ou o assobio de um pássaro, projetando uma luz sobre um objeto, um sentimento, um reconhecimento, e dizendo-nos que este aqui é o nosso coração depois de um sacrifício demasiado longo [...]". E depois  há ainda o perigo de estarmos a confundir tudo e facilmente cairmos na falsa ideia de que aquilo que estamos a ler como o mundo ser o próprio mundo. Mas como é que o leitor vai  encontrar o seu próprio caminho na inefável realidade do bosque? - pergunta. (cf. Manguel, 2009)

Manguel, Alberto (2009) No bosque do espelho. Lisboa: Dom Quixote

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