quarta-feira, 9 de novembro de 2011


O papel dos pais no desempenho dos alunos



Impossível refutar esta verdade: a leitura é uma das competências basilares imprescindíveis ao pleno desenvolvimento do ser humano. Mas saber ler não é uma aquisição natural ou inata. Se não for ensinada (lembremos os que chegam à velhice sem ter aprendido sequer a reconhecer as letras) dificilmente alguém poderá aprender a ler sozinho. A propósito, esta afirmação parece-nos muito apropriada:

«[Saber ler] não se descobre aquilo que teve de ser inventado e, em particular, não se descobre individualmente o que a humanidade levou muito tempo a inventar. O nosso sistema de escrita - o sistema alfabético - só foi inventado cerca de dois milénios depois de terem aparecido as primeiras representações escritas das ideias da linguagem. Nem a escrita nem a leitura no sistema alfabético se descobrem, elas aprendem-se!» (Morais, 2010:5)

E poderemos acrescentar: o gosto pela leitura também precisa de ser estimulado ou incentivado.

De acordo com o artigo "The parent factor in student performance", publicado na revista oecdeducationtoday, os alunos que participaram no Pisa 2009 - cujos pais lhes leram histórias, todos os dias ou semanalmente, durante o primeiro ano da escola primária - , a proficiência na leitura é marcadamente superior à dos alunos cujos pais liam raramente, ou nunca, um livro ou uma história. A revista coloca a ênfase na qualidade do tempo que os pais dispensam aos filhos. Mas, citamos, o que faz a diferença são dois fatores: o interesse genuíno e o seu empenho na vida ativa dos educandos.

As questões sócio-económicas ligadas à competência de leitura são também apontadas como fator a considerar, mas, neste caso, os resultados dos questionários indicam que a prática e o empenho dos pais dos alunos mais desfavorecidos minimizam os efeitos deste tipo de variáveis.

Outros fatores associados a altos níveis de leitura:

- Conversar sobre rotinas da escola,

- Comentar filmes e programas de televisão,

- Debater questões sociais e políticas.

Nos diversos sistemas de ensino, a nível mundial, uma das principais preocupações da escolarização é ajudar os alunos a aprender a ler e a escrever. As iniciativas para elevar os níveis de leitura e escrita levantam muitas questões, nomeadamente a necessidade de criar padrões internacionais de literacias. Por exemplo, o PIRLS (Progress in International Reading Literacy) investiga os resultados da compreensão da leitura em crianças do ensino básico (equivalente ao 4º ano de escolaridade), ao passo que o PISA avalia o desempenho do 3º ciclo do ensino básico e secundário. Algumas dúvidas têm, contudo, surgido na validação destes dados, devido às diferenças dos itens de correlação, isto é, os parâmetros deverão seguir estimativas nacionais ou estimativas internacionais, tendo em conta a dinâmica e a realidade das reformas dos sistemas de ensino de cada país. Há, porém, uma conclusão a retirar: o impacto positivo de uma literacia precoce na capacidade de leitura. (cf. Beard, 2010).

Ler + AQUI.

referências:

oecdeducationtoday (acedido em 7-11-2011)

Beard, R., Siegel, L., Leite, I. & Bragança, A.( 2010). Como se aprende a ler? pref. José Morais. Lisboa:Fundação Francisco Manuel dos Santos

imagem: wdicas

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