quarta-feira, 19 de outubro de 2011


A Natureza-Morta na Europa


Cézanne, Paul (1839-1906)
Prato de cerejas (1885-1887)

Uma exposição que não podemos falhar. A 21 de outubro, o Museu Gulbenkian, Lisboa, inaugura uma mostra de naturezas-mortas de 70 reputados pintores de finais do século XIX e século XX, nacionais e estrangeiros: Amadeo, Eduardo Viana, Mário Eloy, Vieira da Silva, , Braque, Dali, Cézanne, Van Gogh, Monet, Renoir, Gauguin, Monet, Manet, Léger, Duchamp, Matisse, Magritte, Picasso, entre outros...

A mais recente Newsletter da FCG levanta o véu sobre o mote inspirador da exposição:
« [...] O Modernismo articula a euforia da Modernidade, as suas potenciais liberdades e a fantasia da humanidade tecnológica. Mas também exprime a alienação, a indiferença e a brutalidade da urbe, da máquina e do dinheiro. O que aconteceu ao género estável da natureza-morta das artes visuais, e, de facto, ao significado e à natureza da pintura enquanto veículo perante estas pressões e revoluções? É esta a questão central da exposição.»

O tema "natureza-morta", tal como o nome indica, trata de coisas imóveis, ou inanimadas, e aparece na arte ligada a ambientes de abundância, como os mosaicos na antiga Roma. Na Idade Média e no Renascimento, os objetos adquirem um valor simbólico (a rosa, por exemplo), tornando-se elementos de pormenor na composição. Os elementos, sobretudo a partir do séc. XVII, têm efeitos decorativos, de pura ostentação. Em suma, ao longo do tempo, talvez por não estar associada a elementos narrativos e, por isso mesmo, sem associação a ideias profundas e complexas, a natureza-morta tem sido encarada como um género menor da pintura.
Ironicamente, pintores do barroco como Chardin, e românticos como Delacroix e Gericault, no caso ambos impulsivos e sem complexos, desenvolvem esta temática que inspirará os "revolucionários" da pintura do séc. XIX, como Manet e Cézanne. Este género de composição, apreciado pela vida burguesa, passa a chamar a atenção para as qualidades técnicas do artista. A luz, a cor e o ritmo adquirem um tratamento singular. Cézanne, por exemplo, tem uma forma particular de pintar estas composições, rompendo com a perspetiva academicista (veja-se, na imagem acima, o prato de cerejas que, na vertical, nos convida a olhá-lo).
Os elementos da natureza deverão possuir força para atraírem quem os vê. Nada, afinal, é inerte. Tudo faz parte de uma vida intensa que o artista deve pôr em evidência com o seu dom. (cf. Tarasantchi, 1996, p.43).


Fontes:
FCG-Newletter, nº 27, outubro 2011.
Tarasantchi, Ruth S. (1996), Pedro Alexandrino. S. Paulo:Editora da Universidade de S. Paulo, pp. 43-48 : ligação online AQUI (acedido em 19-10-2011)

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