domingo, 23 de janeiro de 2011


Pesquisa pouco ambiciosa com a Wikipédia


De acordo com um artigo do DN, de 23 de Janeiro de 2010, a pesquisa dos alunos, na Wikipedia,

"É rápida, é fácil e fazer trabalhos sem a Wikipédia é uma hipótese que a maioria dos alunos do básico e do secundário nem quer ouvir falar. A enciclopédia virtual, criada há dez anos, mudou a forma de procurar informação, elaborar trabalhos e até influenciou os professores. Para os estudantes é uma "óptima" ferramenta, mas para quem ensina também é uma preocupação: torna a pesquisa dos alunos mais preguiçosa.
O professor do ensino básico Paulo Guinote não tem dúvidas de que "a Wikipédia alterou a forma de se obter informação, mas, em alguns casos, não foi para melhor". Diz que o site, que dá online toda a informação sobre um determinado tema, faz com que os trabalhos dos alunos acabem por ficar todos iguais. "Trouxe vantagens, é certo, é mais rápido procurar informação, mas tornou as pesquisas mais preguiçosas."
E trouxe outro problema. Os alunos copiam as entradas da enciclopédia directamente para os trabalhos. Para combater o facilitismo do copy/paste, este ano Paulo Guinote resolveu mudar a estratégia: "Agora, os alunos têm de entregar os trabalhos manuscritos, assim sempre processam a informação. E também os obrigo a não se limitarem a ficar pelos primeiros links que aparecem no Google", explicou.
Com este método, o professor quer evitar as cópias e garantir que os alunos pesquisem mais além da Wikipédia, que é dos primeiros links a surgir nas pesquisas.
Os alunos confirmam: até podem nem procurar directamente a Wikipédia, mas como é dos primeiros links a aparecer acaba por ser a primeira escolha. Por vezes, a única. E o copy/paste é bastante utilizado. "Quando tenho pressa, vejo só na Wikipédia, quando tenho mais tempo, vejo em mais sítios", confessou ao DN Filipe, 18 anos, aluno do 12.º ano de Economia do Liceu Pedro Nunes, em Lisboa. Tanto ele como os amigos salientam que há alguns cuidados com o copy/paste. "É necessário corrigir os erros por causa do 'brasileiro'", acrescentou Duarte, de 17 .

Como dar solução a este problema ou, melhor, como aprender a evitá-lo?
Sem querermos menosprezar o uso da Wikipédia, a enciclopédia digital com mais entradas do que qualquer outra (impressa e digital), é bem verdade que os alunos do ensino básico e secundário têm a vida facilitada quando se trata de pesquisar informação para um trabalho. Impedir o uso da Internet é um contra-senso, mas cabe ao professor tomar medidas que evitem a tendência para a pesquisa na Wikipedia. Um aluno deixado à vontade na pesquisa autónoma, em vez de orientado para fontes mais apropriadas, será tentado a não ir muito longe na pesquisa.



Algumas questões a considerar nesta situação, da parte dos professores:

  • Orientar o mais possível os alunos na pesquisa, excepto quando estes tenham provas dadas de prática e autonomia
  • Dar conta de um cenário de fontes de informação, como pesquisa prévia, e indicar quais as fontes que interessam , ou as que não interessam mesmo.
  • Diversificar as fontes, isto é, não podem ser apenas electrónicas, mas também impressas, a não ser que não existam na biblioteca ou não estejam acessíveis por qualquer razão.
  • Os trabalhos manuscritos podem ser uma solução. No entanto, no ensino secundário, e principalmente na Escola António Arroio, a qualidade do trabalho também passa pelo aspecto gráfico, que faz parte dos critérios transversais. O professor saberá encontrar formas de contornar a situação.
  • Cruzar fontes electrónicas e fontes impressas é muito importante.
  • Familiarizar os alunos com a pesquisa na Web. Ensinar a evitar as "armadilhas" da pesquisa.
  • Levar os alunos a respeitar os autores e ligações (URL).
  • Sensibilizar para a "pobreza" de um trabalho que apenas se serve da Wikipédia.
  • O Corta e Cola deve ser combatido com firmeza.
  • Trabalhos elaborados com base no Corta e Cola não servem a aprendizagem nem são instrumentos válidos de avaliação.
Aceitam-se mais ideias.

A Biblioteca da Escola António Arroio tem um projecto de colaboração com as turmas/professores sobre Literacia da informação, dirigido a qualquer turma de 10º, 11º ou 12º anos. No próximo mês de Fevereiro, estão agendadas quatro sessões para darmos alguns conselhos na elaboração de trabalhos.


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