segunda-feira, 10 de janeiro de 2011



Carlos Frias de Carvalho publica Luz da água. Lisboa: Arcádia.

Fonte: Do blogue Riso cor de luz.

Poesia sobre poesia, como já nos habituou Risoleta Pinto Pedro. AQUI. Ver também Babel.

Simplicidade e musicalidade numa familiaridade construída entre a poesia e o mundo chamado concreto. Concretamente, o vegetal: poesia vegetal pela convivência do verso com a seiva? Mineral? Pela convivência da sílaba com a água? Animal pela proximidade dos corpos? Ou Divina, pela empatia do olhar, digo, do silêncio?

É silenciosa, esta poesia, na medida em que não contém ruídos, é poesia música e segredo. Muito centrada no meio do ar, no ponto onde o vento passou e deixou só mensagens para alguns: os poetas da depuração. Com muito pouco se faz esta poesia: uma página quase em branco, meia dúzia de palavras que falam sobre muito poucas coisas: água, olhar, flor, fogo, luz, pouco mais. Só assim é possível falar do universo.
Alguns poemas são quase haikais:

"vida
morte

e o meio

caminho",

outros trazem dentro de si uma subtil orquestra, são música:

"entre o fundo
e o cume

arde a água
que é lume"

Poesia onde a água jorra e assim cria um deserto quente e envolvente onde nenhum ruído pode penetrar porque há uma protecção elementar, um exército moldado da mais subtil brisa.
Nada mais há a dizer. Para não turvar.

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