quinta-feira, 14 de outubro de 2010


Amigas Ninja

Jovens_autores é um rubrica de divulgação de textos de alunos que revelam qualidade literária. Normalmente são textos orientados pelo professor da disciplina de Português.O arteziletras orgulha-se de dar continuidade a uma iniciativa que pretende dar mérito a quem o merece.
"Amigas Ninjas" é um texto narrativo que ocorre durante a revisão dos géneros literários no âmbito de temas relacionados com Literatura e Cidadania. Neste caso, subordinado ao tema "Hipocrisia/Traição".

AMIGAS NINJA (do Manuel Justo, 11º L)

Era uma vez duas vacas. Elas eram muito amigas,
conheciam-se desde pequenas. Uma era verde e
chamava-se Verde. A outra era azul e chamava-se
Rosa.
Certo dia, Verde e Rosa tiveram a magnífica ideia de
se tornarem ninjas. Estavam tão excitadas com a
ideia que decidiram realizá-la. Com este objectivo
começaram a treinar juntas, para que mais tarde
pudessem combater o mal e salvar o mundo.
Os treinos decorreram durante dia e noite, semanas e
meses. Embora exaustas, Verde e Rosa divertiam-se
como nunca, como sempre.
Enquanto elas treinavam chegou a primeira noite do
Inverno. Foi nessa noite que Rosa avistou um grande
boi na zona. Verde, concentrada no seu treino, nem
notou que Rosa a havia abandonado para ir ter com o
boi.
Ao amanhecer, Verde deu pela falta da amiga e
interrompeu o seu trabalho para ir em sua busca. Deu
com Rosa a dormir encostada ao grande boi, que se
apercebe da sua presença e lhe pisca o olho, numa
tentativa de sedução. Verde apercebe-se da traição
que Rosa tinha cometido e destroçada, vira-lhe as
costas e corre, afastando-se, com lágrimas a
escapar-lhe dos olhos. Os céus cinzentos tornam-se
mais densos e começa a chover. Na sua correria, por
entre os trovões e a escuridão, Verde toma
consciência de que algo deve ser feito. A tristeza
desvanece-se do seu coração e a raiva e vingança
tomam o seu lugar.
Não tarda até Verde retomar os seus treinos ninja,
cada vez mais determinada. Anos passam: sol, chuva,
vento, trovoada, calor, frio, fome e sono, mas ela não
desiste.
Subitamente, Verde pára. Mas não se deita para
descansar. Pelo contrário, é agora que tudo começa.
Verde mantém-se firme nas suas quatro patas: -
“Estou pronta.” - diz convictamente. Ar quente sai do
seu nariz. E sem pensar mais, Verde corre disparada
numa nova busca da sua anteriormente amiga, Rosa.
Não tem qualquer piedade, tudo o que se pusesse no
seu caminho era cortado em dois: árvores, cercas,
relva, cavalos e porcos. Correu durante vários dias.
Verde já não conhecia o significado de “parar”.
Chegou de novo a primeira noite do Inverno. Foi
nessa noite que Verde encontrou Rosa a dormir junto
ao boi, mais uma vez. O grande boi apercebe-se de
Verde e da sua intenção. Amedrontado, afasta-se de
Rosa e olha paralisado para ela. Verde aproxima-se
de Rosa, que ainda dorme, e com as palavras “Adeus,
vaca!”, perfura o corpo dela com os seus cascos
afiados. Rosa guincha de dor e de tristeza e após
todo o seu sangue ter sido expulso do seu interior,
morre.
Verde, mais descansada, abandona o cadáver de
Rosa e vai ter com o grande boi, com quem vive feliz
para sempre.
Manel Justo - 30/09/10


Nota: Este texto foi publicado com autorização do autor. Não é permitida a reprodução sem a autorização do seu legítimo autor.

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