quinta-feira, 6 de maio de 2010


duplo coração

(do André Ribeiro - 12º m)


Eu quero tudo quando o quero e quero-o agora. Eu quero tudo quando ainda não pensei em querê-lo e, na altura em que o quero, já não o quero mais. Depois de o querer, acabo por perceber que o ideal que dei à perfeição não é o suficiente para que o consiga realmente querer. Neste momento, quero suicídio por download.
Depois de me levantar das tábuas, arranco páginas de elementos boreais de existência e leio-os. “Já escrevi isto amanhã”. Também já o escrevi depois. Como todos os dias, de todas as eras, escrevi-o, li-o, apaguei-o e voltei a fazer tudo exactamente da mesma maneira. Podia observar-vos a todos, assinalando os erros uns dos outros, sem que saibam o que é um erro plangente. A consagração dos mercadores dos druidas elfos foi tão fervorosa quanto mortificada pelos insectos que continuo a observar. Eles marcham juntos, de acordo com o que o sangue de réptil, que flui dentro dela e a compõe em noventa por cento da sua forma física, programou. Um pouco mais adiante, um elemento da não-Natureza pára e olha. Não chega a ver nem a observar. Não parece um figurante, mas como não lhe atribuo qualquer importância, apago-o. Por vezes é tão simples assim. Pelo menos, os humanos, na sua generalidade, pretendem demonstrá-lo.
Eu acabo por ser neve derretendo, sem qualquer tipo de balanço, nocauteada para fora do gancho do homem que parece alto, elegante e bonito, sem o ser realmente. E os fumos são amarelos, e andam três juntos, uns de cada vez, todos os três iguais, como se fossem fusões de matéria do que eu gostaria de ver.
Caracterizadores das pessoas bonitas, são os espelhos das imagens de uma linha azul e uma mancha verde, embora não haja diferença entre as imagens de sexo, dor e sofrimento que implanto em cada um dos seus ecrãs mentais de alumínio crostado de carmesim.
Podia observar-vos a todos…

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