sexta-feira, 23 de abril de 2010


Distracções

(da Inês Avelar – 12º M)

Aqui, nesta rua bem (mal) amada, observo as pessoas que passam na sua correria diária.

É essa a sua rotina, é esse o seu destino. Ninguém pára, ninguém vê, ninguém ouve, ninguém cheira... Ninguém sente. O seu sentido, é apenas o destino ao qual pensam chegar ao fim do dia. Todos os outros são esquecidos.

Nos seus rostos espelha-se um tom violáceo, marcando o fim da tarde e o início da noite, da escuridão. Mas não se apercebem, de tal forma seguem apressados.

Eu aqui passo, observando todos estes seres embrenhados nos seus assuntos mundanos.

Não pretendo escarnecer de nenhum deles. Claro que não, não o posso fazer. Apenas paro e faço algo que penso ser necessário para conhecer o mundo que nos rodeia: deixo que todas as sensações deste local (bem como de outros) se reúnam e venham ao meu encontro. (Re) Conheço todas estas sensações auditivas, visuais, tácteis, olfactivas... E sinto-me genial. Sinto-me o protagonista desta ficção que é o nosso dia-a-dia. Que é a nossa vida.

Todos os outros são figurantes... São apenas elementos decorativos deste cenário, que é uma simples rua, no lusco-fusco.

Muitos fingem ser algo que gostariam. Alguns encarnam perfeitamente nas personagens que escolhem... Mas poucos são realmente sinceras. Poucos vivem a realidade como ela é. Poucos param para pensar e para sentir. Raríssimos, são os que não copiam outras identidades, os que não são produzidos em série.

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