quarta-feira, 21 de abril de 2010


Algumas coisas que me despertam a atenção





(Da Bárbara Bulhão - 12º E)

Quando subo a minha rua, já cansada de tão grande ser o caminho, já cansada de tão íngreme ser a subida e a calçada portuguesa que me dá muito trabalho, as obras das ruas que quebram o caminho! a confusão dos carros e do eléctrico que quer passar, mas não consegue, começo a avistar a porta e imagino a frescura de minha casa e imagino o copo de água que vou beber como se fosse o primeiro da minha vida e vejo…

Vejo um canteiro, feliz de flores coloridas, regadas todos os dias, regadas de carinho e de esperança, pois não existe mais ninguém para regar. Não conheço os seus familiares, apenas conheço a sua porta, o seu rosto velho, o seu corpo vestido de negro, a sua voz, as suas flores e o seu gosto musical.

Aquela porta, dá inveja a qualquer um, pois é, na minha opinião, a porta mais bonita de toda a rua. Já ouvi alguns rumores de inveja a caminharem pela rua. O seu rosto velho é simpático, é triste, mas tem esperança, tem história e histórias para contar. Visualizo toda a sua vida no seu rosto, nos seus olhos claros e cheios de vida, tapados pelo brilho quase sem brilho dos seus óculos velhos. O seu corpo deteriorado do tempo, já não é o que era, tomou conta de si e transformou-se sem que ninguém desse por isso. O corpo vestido de negro ilumina a sua porta com os contrastes que faz! A porta branca, cor de cal, os seus canteiros de flores felizes e coloridas são ilustrações, são postais de entrada. A sua voz que, depois de todo o caminho que faço sempre que subo a minha rua, me alivia a alma e o cansaço, este; “ Boa tarde menina” é diferente de todos os que já ouvi, é como se fosse um “Entre menina, esteja como se fosse em sua casa”.

Sei que há muito tempo que não recebe visitas. Observo-a da janela do meu quarto com os seus dias longos, vejo-a na sua janela e sempre que o faço, lembro-me de um dia em particular: era sábado de manhã, primavera e um dia de um sol esplendoroso, a rua silenciosa, não,não estava silenciosa, estava sim com um som diferente, tinha o som da sua alegria, tinha o som da sua música!...

Isto são só algumas coisas que me despertam a atenção…


"É assim que o tempo passa..."


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