domingo, 24 de janeiro de 2010


Sylvia Plath, 1932-1963














OVELHAS NA NÉVOA

As colinas penetram na brancura.
Homens ou estrelas
Olham-me com tristeza, desiludo-os.

O comboio deixa um rastro do seu alento.
Oh vagaroso
Cavalo da cor da ferrugem.

Cascos, dolorosos sinos…
Toda a manhã
A manhã obscureceu.

Uma flor abandonada.
Os meus ossos absorvem a quietude, longínquos
Campos enternecem o meu coração.

Ameaçam
Levar-me para um céu
Sem estrelas e sem pai: uma água negra.


PELA ÁGUA, Assírio e Alvim, 2000
(trad. Maria de Lourdes Guimarães)

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