terça-feira, 8 de dezembro de 2009


Há muito que não ia ao teatro

Crónica da Marta Amaro(10º ano I)

Já há muito tempo que não ia ao teatro. E já há muito tempo que não estava com a minha mãe, o meu pai, os meus irmãos. A vida separou-nos a todos e, felizmente por um lado, tornou-nos pessoas muito independentes. No entanto, esta peça de António Feio estava no Coliseu e ninguém do mesmo sangue que eu quereria perdê-la.
Começou tudo numa grande coincidência:
-Mana?
Depois de um abraço sem fim (tentativa falhada de matar saudades):
-Mãe? Pai?
E seguiu-se uma longa sessão de carinho.
-Luís! Faltavas tu!
Depois deste reencontro, entrámos na sala e, como os lugares não estavam marcados, ficámos todos juntos, como antigamente: ao lado da Mãe, eu, e depois, ao meu lado, o Luís. À direita da Mãe, o Pai e a mana. Estávamos todos contentes por estarmos reunidos numa altura que não fosse o Natal. Porém, não fiquei nem um pouco surpreendida pelo acontecimento.
Mal começou a peça, ficámos todos tocados pela força de Feio depois de tudo o que passou, mas não deixámos de reparar no seu aspecto debilitado. Nesse momento, todos pensámos o mesmo: “Falta a Avó”.
Os olhos aguaram-se mas não despegaram do monólogo que estava a decorrer. Nem mais nem menos, qualquer coisa sobre a vida e a morte. Ou se calhar era apenas esse o discurso dos seus gestos, do seu corpo. A sua expressão gritava que todos temos de abandonar a terra.
Até os mais espectaculares.
-Até os mais resistentes – disse ao Luís, que entretanto me deu a mão.
Já há muito tempo que não ia ao teatro.

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