quinta-feira, 11 de dezembro de 2008


Parabéns Manuel de Oliveira!




Destacamos excerto de entrevista do cineasta ao PÚBLICO:

"P- De que planeta é que gostaria de vir ou a qual se imaginaria a pertencer?

MO- Não penso nisso. A gente vem, por virtude da natureza. A natureza é sábia na construção do universo e nós somos também filhos da natureza. Ninguém nasce por vontade própria. Enfim, aquilo que a natureza nos dá, se não estivermos satisfeitos, é a possibilidade de liquidarmos a nossa vida. Fora isso, obriga-nos a viver. Para isso, dotou-nos da fome, para nos obrigar a comer, e dotou-nos do desejo da mulher, para dar continuidade à espécie. Só para estes dois fins. Os pássaros correm o ar à procura de alimento, de manhã até à noite...

P- Parece uma coisa tão simples e, afinal, é a base da civilização.

MO- Não é a base da civilização. Não tem nada a ver com isso. Pelo contrário: o homem destrói o processo natural, com a poluição, com a bomba e tudo o que é atómico, que é um lixo que destrói tudo. Isso é que é a civilização. O resto é a natureza, que tem as suas leis e delas deriva a ciência. Mas a civilização é que estraga isso... Os índios, sim, eles é que defendem a natureza, porque sabem que dependem dela. A civilização predominante é agora a europeia, em todo o mundo: na China, no Japão, na América... É a nossa civilização ocidental, que vem desde a Grécia e de Roma, que é mediterrânica e greco-latina, embora, depois da derrota da Invencível Armada, tivesse passado da Península Ibérica para a Inglaterra, e, depois da Segunda Guerra Mundial, passou de Londres para Washington, onde agora continua..."

In PUBLICO, 7-12-2008

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