quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009


A Morte é a curva da estrada












A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te ouço a passada
Existir como eu existo.

A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.

Fernando Pessoa , Cancioneiro


poema dito por Natália Luiza


A Mensagem de FP faz 75 anos





Há exactamente 75 anos, no dia 1 de Dezembro de 1934, a editora Parceria António Maria Pereira, de Lisboa, publicava o volume de poemas Mensagem. O autor, Fernando Pessoa, tinha então 46 anos - morreria quase exactamente um ano depois, a 30 de Novembro de 1935 - e, em formato de livro, descontado um folheto, depois repudiado, no qual defendia uma ditadura militar para Portugal, editara apenas alguns opúsculos de poesia inglesa.

sábado, 28 de Novembro de 2009


George Steiner, 1929-

George Steiner recebe as insígnias de Doutor Honoris Causa na Faculdade de Lisboa

Numa das suas intervenções, o pensador declara que se vive "um dos períodos mais selvagens da História" .
Viseu (Portugal) - George Steiner, considerado um dos mais importantes pensadores actuais, lamentou segunda-feira que se viva "um dos períodos mais selvagens da História", em que os dois grandes produtores de dinheiro são a droga e a pornografia.

O ensaísta participou nas V Conferências Internacionais de Filosofia e Epistemologia do Instituto Piaget, em Viseu, que durante três dias se dedicam a reflexões sobre a condição humana.

O professor da Universidade de Cambridge, de origem judaica, considerado um "humanista pessimista", afirmou que o holocausto mudou "o significado da condição humana" e que "perderam-se certos ideais do progresso humano".

"A condição humana tornou-se, hoje em dia, profundamente problemática.

Vivemos num dos períodos mais selvagens da História", frisou.

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Ligações associadas:
http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=36602&op=all


Havia três dias e três noites...


Havia três dias e três noites que a Salta-Pocinhas - raposeta matreira, fagueira, lambisqueira - corria os bosques, farejando, batendo mato, sem conseguir deitar unha a outra caça além duns míseros gafanhotos, nem atinar com abrigo em que pudesse dormir um soninho descansado. Desesperada de tão pouca sorte, vinham-lhe tentações de tornar para casa dos pais, onde, embora subterrânea, a cama era mais quente e segura que em castelo do rei, e onde nunca faltava galinha, quando não fosse fresca, de conserva, ou então coelho bravo, acabado de degolar. Mas temia-se da mãe que ao cabo de uma semana de fome, depois do assalto frustrado à capoeira dum lavrador em que vira a morte a dois passos, lhe atormentara o juízo com advertências e bons conselhos:
- Salta - Pocinhas, minha filha, tens de procurar outro ofício. Comer e dormir, dormir e comer também eu queria. Olé! Se ainda o não sabes, fica sabendo: quem não trabuca não manduca. Mal entre a lua nova- e não tarda a hora que chegue às portinhas do céu - está na idade de te conduzir por tua cabeça. Também já te lá cantam dezoito meses, e dezoito meses nada ladros, louvado seja o pai dos bichos. É olhar-te para as navalhas dos dentes e a boa saia de peluche. Uma beleza!
- Ih, ih, ih! desatara a Salta Pocinhas a choramingar.
- Santa Paciência! Teus irmãos andam ganhando o pão, sabe Deus com que trabalhos! O Pé-Leve saiu um açougue de finura...
- E bom filho! Estava ontem a gineta a fazer-lhe um rasgadíssimo elogio - disse o pai velho, um raposão de rabo pelado, ao tempo que se espreguiçava entesando e voltando a entesar um longo e descarnadíssimo pernil.
- Pudera! Foi ele que bifou ao padre-prior o rico galo galaroz, crista de vermelhão e pernas de retrós. Comemos nós, comeu a gineta e, cem anos que eu viva, não me hei-de esquecer do fartote. Coitado, o Pé-Leve emancipou-se há umas semanas. A ti, Salta-Pocinhas, guardámos-te mais tempo connosco, esperando que servisses de arrimo para o fim dos dias. É negócio arrumado, se tratares de ti, já nos damos por contentes. Pronto, deitaste bom corpo, arranja-te, arranja-te! Para baronesa não nasceste...
- O mundo vai mal! O mundo vai mal! - emitiu o raposão em tom pessimista. -Quem houver de levar a vidinha segundo as regras do amor ao pêlo precisa de lume no olho. Sim, senhora! Hoje em dia assaltar uma capoeira é um problema
complexo, muito complexo...
- Estou velha...caduca - tornou a mãe, sem fazer caso da filosofia do raposo. - Não te posso manter, ainda que quisesse. Há coisa de dias um cãozinho bem reles, um destes totós que não prestam para mais nada que para soltar o béu! béu!, deitou a correr atrás de mim e por pouco que não me rasga a fralda. O toirão que o diga. Teu pai, depois que apanhou a chumbada nas pernas, está o que para ali se vê: um entrevadinho, um borralheiro, incapaz de pegar um caçapo a dormir a sesta no covil.
[...]

Aquilino Ribeiro, de O Romance da Raposa

terça-feira, 24 de Novembro de 2009


Henri de Toulouse- Lautrec faz hoje 145 anos





Toulouse-Lautrec, Henri de (1864-1901). Dentre os pintores inesquecíveis que viveram e trabalharam em Paris ao longo do séc. 19, podemos apontar Degas, Cézanne, Gauguin, Van Gogh, Seurat, Renoir e Toulouse Lautrec. Este artista, conhecido por ter vivido no meio boémio de Paris, nele se inspirou para criar algumas das obras-primas da pintura europeia.

Henri de Toulouse-Lautrec nasceu a 24 de Novembro, em Albi, França. Era um aristocrata, filho herdeiro e último na linha de uma família nobre com centenas de anos de existência. Filho de um homem rico, elegante e excêntrico e de mãe super-protectora, o pintor Toulouse – Lautrec era de compleição débil e estava frequentemente doente. Começou a pintar aos dez anos.

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Pesquise monografias na nossa base de dados sobre este pintor (Pinacoteca, Génios da Pintura, O Teatro da Vida de Mathias Arnold)

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009


Anna Akhmátova - 1889-1967






Anna Akhmátova, 1922 (Kuzma Petrov-Vodkin)




Como Pedra Branca

Como pedra branca no fundo do poço

dentro de mim está uma memória.

Nem quero afastá-la, nem posso:

é sofrimento e é prazer e glória.


Julgo que quem olhar-me bem de perto

dentro em meus olhos logo pode vê-la.

E ficará mais triste e pensativo

que alguém que escute uma anedota obscena.


Eu sei que os deuses metamorfoseavam

os homens em coisas sem tirar-lhes alma.

Para que o espante da tristeza dure sempre,

em coisa da memória te mudei.

2.
Pseudónimo de Anna Andreievna Gorenko, fundadora e representante do movimento acmeista, que reclamava o regresso à expressão directa da emoção poética, à concisão e ao rigor das imagens. Entre 1918 e 1958 viu-se condenada a um quase silêncio: suspeita ao regime russo, pelo tom aristocratizante da sua poesia, entre 1923-1940, violentamente atacada por Andrei Zhadanov, ministro da cultura de Estaline, em 1946, que a acusa de escrever poesia intimista de carácter burguês, e a classifica como um misto de “freira prostituta”. Só após a morte de Estaline pode voltar a publicar e experimentar o reconhecimento público nacional, que já existia clandestino, e ser reconhecida como um dos maiores poetas russos do século XX.


Fonte: blogue Quási de Nada.


Risoleta Pinto Pedro convida

24 de novembro, pelas 18h30. Casa Fernando Pessoa.


O Sol do Tarot de Sintra (Indícios de Oiro) é uma ficção de Risoleta C. Pinto Pedro que parte das pinturas de Frederico Mira George. A obra será apresentada por Paulo Borges. Com leituras por Luiza Dunas, haverá ainda a interpretação de duas peças musicais pela pianista Vera Prokic, e um apontamento de dança pelo bailarino Pedro Paz.

«Ao todo são vinte e duas as personagens, tantas quantos os arcanos maiores, todos desempenham um papel arquetípico neste pequeno teatro familiar que se desenrola em parte na Serra de Sintra, onde as flores são de plástico, o boi é o hierofante e o quotidiano pode ir do mais extraordinário ao mais banal, como a passagem dos ciclistas, uma ópera, um casamento, uma peça de teatro, uma investigação, uma morte, uma gravidez, a vida, o eterno teatro.»


António Ramos Rosa

Apresentamos o último trabalho do projecto "Cordel de literatura", do ano lectivo anterior, para divulgação de poetas portugueses contemporâneos. Esta recolha de documentos sobre António Ramos Rosa esteve patente na nossa biblioteca no 3ºperíodo.


domingo, 15 de Novembro de 2009


Dia Nacional da Língua Gestual Portuguesa

Fonte: Notícias. sapo.pt
13 de Novembro de 2009, 19:07

Francisco Goulão, 58 anos, é professor de Educação Visual no Instituto António Cândido, no Porto. Trabalha diariamente com crianças surdas.

Com os seus alunos faz desenhos e cria histórias em que a língua gestual está em destaque. A autoria dos desenhos é dos alunos e de Francisco Goulão, que tem criado outros projectos semelhantes, sempre baseados na linguagem gestual, como «Descobrir Portugal», «Porto» ou «Branca e o Lobo Mau».

clique em: http://noticias.sapo.pt/info/artigo/1030417.html