terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010
domingo, 7 de Fevereiro de 2010
Los viajes de Cronopios y de Famas
Júlio Cortázar fala da génese da obra Histórias de Cronopios Y de Famas
Los Viajes
Cuando los famas salen de viaje, sus costumbres al pernoctar en una ciudad son las siguientes: Un fama va al hotel y averigua cautelosamente los precios, la calidad de las sábanas y el color de las alfombras. El segundo se traslada a la comisaría y labra un acta declarando los muebles e inmuebles de los tres, así como el inventario del contenido de sus valijas. El tercer fama va al hospital y copia las listas de los médicos de guardia y sus especialidades.
Terminadas estas diligencias, los viajeros se reúnen en la plaza mayor de la ciudad, se comunican sus observaciones, y entran en el café a beber un aperitivo. Pero antes se toman de las manos y danzan en ronda. Esta danza recibe el nombre de "Alegría de los famas".
Cuando los cronopios van de viaje, encuentran los hoteles llenos, los trenes ya se han marchado, llueve a gritos, y los taxis no quieren llevarlos o les cobran precios altísimos. Los cronopios no se desaniman porque creen firmemente que estas cosas les ocurren a todos, y a la hora de dormir se dicen unos a otros: "La hermosa ciudad, la hermosísima ciudad". Y sueñan toda la noche que en la ciudad hay grandes fiestas y que ellos están invitados. Al otro día se levantan contentísimos, y así es como viajan los cronopios.
Las esperanzas, sedentarias, se dejan viajar por las cosas y los hombres, y son como las estatuas que hay que ir a verlas porque ellas ni se molestan.
de "Historias de Cronopios y de Famas", Julio Cortázar, 1962. © 1996 Alfaguara
Outras histórias em: http://www.literatura.org/Cortazar/Cronopios.html
Vida e obra de Júlio Cortázar, 1919-1984, AQUI
Los Viajes
Cuando los famas salen de viaje, sus costumbres al pernoctar en una ciudad son las siguientes: Un fama va al hotel y averigua cautelosamente los precios, la calidad de las sábanas y el color de las alfombras. El segundo se traslada a la comisaría y labra un acta declarando los muebles e inmuebles de los tres, así como el inventario del contenido de sus valijas. El tercer fama va al hospital y copia las listas de los médicos de guardia y sus especialidades.
Terminadas estas diligencias, los viajeros se reúnen en la plaza mayor de la ciudad, se comunican sus observaciones, y entran en el café a beber un aperitivo. Pero antes se toman de las manos y danzan en ronda. Esta danza recibe el nombre de "Alegría de los famas".
Cuando los cronopios van de viaje, encuentran los hoteles llenos, los trenes ya se han marchado, llueve a gritos, y los taxis no quieren llevarlos o les cobran precios altísimos. Los cronopios no se desaniman porque creen firmemente que estas cosas les ocurren a todos, y a la hora de dormir se dicen unos a otros: "La hermosa ciudad, la hermosísima ciudad". Y sueñan toda la noche que en la ciudad hay grandes fiestas y que ellos están invitados. Al otro día se levantan contentísimos, y así es como viajan los cronopios.
Las esperanzas, sedentarias, se dejan viajar por las cosas y los hombres, y son como las estatuas que hay que ir a verlas porque ellas ni se molestan.
de "Historias de Cronopios y de Famas", Julio Cortázar, 1962. © 1996 Alfaguara
Outras histórias em: http://www.literatura.org/Cortazar/Cronopios.html
Vida e obra de Júlio Cortázar, 1919-1984, AQUI
quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010
Os adolescentes estão a fugir dos blogues

Um estudo feito nos Estados-Unidos, reunindo a opinião de 800 jovens, permitiu concluir que os adolescentes estão a optar por outras formas de convivência social digital.
"Os blogues são coisa de velhos, o Twitter é uma seca e o Facebook é que está a bombar". Em linguagem de adolescente, estas são as principais conclusões de uma sondagem do instituto norte-americano Pew Research Center, que analisou a presença dos mais jovens na Internet.(Público, 4-02-2010)
Sabe-se que a Internet é o modo mais vulgarizado de os jovens estarem ocupados. Foram deixando para trás, progressivamente, os média clássicos: radio e televisão, optando por esta tecnologia digital que lhes permite interagirem: conhecer, dar-se a conhecer e a construir a sua identidade em linha. O blogue tem sido até agora uma das ferramentas de eles fazerem as suas "intervenções identitárias".
O facto de deixarem os blogues e optarem pelo Facebook é perfeitamente normal como são todos os fenómenos nestas idades. A moda, ou o que "está a bombar", é mesmo determinante nas suas opções. Ainda há bem pouco anos era o hi5 o grande boom. Não levará muito tempo que o Facebook passe à história e venha outro qualquer!
"Os blogues são coisa de velhos, o Twitter é uma seca e o Facebook é que está a bombar". Em linguagem de adolescente, estas são as principais conclusões de uma sondagem do instituto norte-americano Pew Research Center, que analisou a presença dos mais jovens na Internet.(Público, 4-02-2010)
Sabe-se que a Internet é o modo mais vulgarizado de os jovens estarem ocupados. Foram deixando para trás, progressivamente, os média clássicos: radio e televisão, optando por esta tecnologia digital que lhes permite interagirem: conhecer, dar-se a conhecer e a construir a sua identidade em linha. O blogue tem sido até agora uma das ferramentas de eles fazerem as suas "intervenções identitárias".
O facto de deixarem os blogues e optarem pelo Facebook é perfeitamente normal como são todos os fenómenos nestas idades. A moda, ou o que "está a bombar", é mesmo determinante nas suas opções. Ainda há bem pouco anos era o hi5 o grande boom. Não levará muito tempo que o Facebook passe à história e venha outro qualquer!
domingo, 31 de Janeiro de 2010
O riso do Kindle
Fonte: Sábado, opinião de Alberto Gonçalves*, 28-01-2010
Ando preocupado com o Kindle. Não, não é outra criança inglesa desaparecida no Algarve ou uma agência de rating a prever a falência do país. O Kindle é o leitor de livros electrónicos da Amazon e foi o grande sucesso da empresa no Natal no ano passado, de resto o primeiro em que os e-books superaram as vendas dos livros propriamente ditos.
Abomino o Kindle com todas as forças do meu ser. Infelizmente, essas forças são débeis e não me impedirão de um dia comprar o pechisbeque e, pior, de o reverenciar com idêntica intensidade. Já me aconteceu o mesmo com a música, que comecei por acumular em discos de vinil aos quais jurei amor eterno. Depois, vieram os CD e a eternidade interrompeu-se. Ano após ano, os CD multiplicavam-se com o frenesim de fanáticos religiosos. Uma ocasião, mandei fazer uma estante adequada. Não sei descrever a alegria que experimentei a organizar milhares de caixinhas de plástico por género e autor, e a culpa por despachar o vinil para a prateleira rente ao chão, especialmente dimensionada em memória de um passado que seria injusto esquecer ou, dada a trabalheira com as agulhas, as limpezas e os riscos, apetecível recuperar.[...]
Porém, o infinito revelou-se novamente breve e durou o tempo necessário à disseminação de ficheiros digitais. Resisti ao iPod o que pude. Não pude muito. Nos idos de 2007, enfiei a estante em 80 gigabytes que cabem no bolso convencido, na minha recorrente ingenuidade, de que a evolução, digamos, teminaria aí. Não termina, nunca termina: o passo seguinte, consta, consistirá num arquivo online com cada peça musical alguma vez publicada, similar ao que guardará os filmes e "audiovisuais" em geral e que a prazo cobrirá de ridículo os saltinhos do VHS para o DVD e do DVD para o Blu-ray.
Mas uma coisa é abdicar dos suportes físicos da música e dos vídeos. Coisa distinta é abdicar dos livros. São mais numerosos. Ocupam mais espaço. É impossível contê-los, a fim de os ignorar, numa prateleira baixa. É impensável deitá-los ao lixo. Quando os livros ficarem obsoletos, terei paredes de inutilidade a assombrar-me com imaginária reprovação e pó verdadeiro. É algo tão macabro quanto manter as ex-namoradas embalsamadas na sala de estar, vivas ou mortas.
Ou pior. Uma ladainha analfabeta em voga garante que o importante é "ser" e não "ter". A ladainha desconhece que, em larga medida e em medida ainda maior no caso dos livros, somos aquilo que temos. E se o que temos se transforma num anacronismo, é inevitável que nos tornemos anacrónicos também. Ao contrário do que se julga, adquirir na meia-idade o Kindle ou gadgets afins não nos ajusta à época: apenas mostra, com requintada crueldade, que a nossa época acabou ou ameaça acabar. O Kindle, em suma, ri-se de nós, com o ecrã escancarado, e aposto que, cedo ou tarde, pagarei para ouvir o seu riso. Absurdo? A espécie é assim: está nos livros, entretanto ironicamente digitalizados e apetitosamente portáteis.
*sociólogo
Ando preocupado com o Kindle. Não, não é outra criança inglesa desaparecida no Algarve ou uma agência de rating a prever a falência do país. O Kindle é o leitor de livros electrónicos da Amazon e foi o grande sucesso da empresa no Natal no ano passado, de resto o primeiro em que os e-books superaram as vendas dos livros propriamente ditos.
Abomino o Kindle com todas as forças do meu ser. Infelizmente, essas forças são débeis e não me impedirão de um dia comprar o pechisbeque e, pior, de o reverenciar com idêntica intensidade. Já me aconteceu o mesmo com a música, que comecei por acumular em discos de vinil aos quais jurei amor eterno. Depois, vieram os CD e a eternidade interrompeu-se. Ano após ano, os CD multiplicavam-se com o frenesim de fanáticos religiosos. Uma ocasião, mandei fazer uma estante adequada. Não sei descrever a alegria que experimentei a organizar milhares de caixinhas de plástico por género e autor, e a culpa por despachar o vinil para a prateleira rente ao chão, especialmente dimensionada em memória de um passado que seria injusto esquecer ou, dada a trabalheira com as agulhas, as limpezas e os riscos, apetecível recuperar.[...]
Porém, o infinito revelou-se novamente breve e durou o tempo necessário à disseminação de ficheiros digitais. Resisti ao iPod o que pude. Não pude muito. Nos idos de 2007, enfiei a estante em 80 gigabytes que cabem no bolso convencido, na minha recorrente ingenuidade, de que a evolução, digamos, teminaria aí. Não termina, nunca termina: o passo seguinte, consta, consistirá num arquivo online com cada peça musical alguma vez publicada, similar ao que guardará os filmes e "audiovisuais" em geral e que a prazo cobrirá de ridículo os saltinhos do VHS para o DVD e do DVD para o Blu-ray.
Mas uma coisa é abdicar dos suportes físicos da música e dos vídeos. Coisa distinta é abdicar dos livros. São mais numerosos. Ocupam mais espaço. É impossível contê-los, a fim de os ignorar, numa prateleira baixa. É impensável deitá-los ao lixo. Quando os livros ficarem obsoletos, terei paredes de inutilidade a assombrar-me com imaginária reprovação e pó verdadeiro. É algo tão macabro quanto manter as ex-namoradas embalsamadas na sala de estar, vivas ou mortas.
Ou pior. Uma ladainha analfabeta em voga garante que o importante é "ser" e não "ter". A ladainha desconhece que, em larga medida e em medida ainda maior no caso dos livros, somos aquilo que temos. E se o que temos se transforma num anacronismo, é inevitável que nos tornemos anacrónicos também. Ao contrário do que se julga, adquirir na meia-idade o Kindle ou gadgets afins não nos ajusta à época: apenas mostra, com requintada crueldade, que a nossa época acabou ou ameaça acabar. O Kindle, em suma, ri-se de nós, com o ecrã escancarado, e aposto que, cedo ou tarde, pagarei para ouvir o seu riso. Absurdo? A espécie é assim: está nos livros, entretanto ironicamente digitalizados e apetitosamente portáteis.
*sociólogo
sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010
Brasão
Mar português
quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010
Quase IV
da Violeta Silva ( 10ºI)
Eu sou quase nada.
Eu vejo mas não entro.
Sou quase tudo.
Tenho mas não sou.
E o tempo, o tempo é uma desculpa
Pra não chegar.
No tempo,
Percorro todos os caminhos
Sem chegar a algum destino.
Quase chego a ser...
Sou quase tudo...
Quase aqui não estou...
Sou quase nada.
Eu sou quase nada.
Eu vejo mas não entro.
Sou quase tudo.
Tenho mas não sou.
E o tempo, o tempo é uma desculpa
Pra não chegar.
No tempo,
Percorro todos os caminhos
Sem chegar a algum destino.
Quase chego a ser...
Sou quase tudo...
Quase aqui não estou...
Sou quase nada.
Quase III
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